terça-feira, 18 de agosto de 2009

Aviso aos navegantes 2

No site "Almanaque Virtual", estão duas novas análises de livros minhas. Os livros em questão são "O guia de sobrevivência aos zumbis" de Max Brooks e "O contorno do sol" por Natália Nami. Leia a respeito aqui e aqui!

Enquanto isso, no mesmo site, saiu uma avaliação do livro no qual participei como autor, "Clube da leitura: modo de usar, vol. I"! Leia aqui!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Cindy


Cindy está sentada no meio fio da calçada. O dia surge no horizonte e não há mais clientes à vista. Ela resolve dar um mergulho na mar. Apesar de estar numa cidade litorânea há quase um ano, nunca tinha ido à praia. Ela tira seus sapatos de cristal e anda até a praia.
Ela fecha os olhos e relembra sua trajetória. Há muitos anos atrás, ela não estava numa situação melhor do que esta. Vivia com a madrasta e as filhas dela. Trabalhava dia e noite na faxina da casa, sem receber salário. Dormia na dispensa. Assim, para conseguir algum dinheiro, saía às escondidas à noite e fazia ponto numa viela no centro do Reino Encantado.
Um dia, quando comprava um cigarro a varejo na banca de jornal que ficava perto do seu trabalho noturno, notou a capa de uma revista de celebridades. O Príncipe Encantado, um dos solteiros mais cobiçados da cidade, estava dando um baile para a alta sociedade. Imediatamente, Cindy percebeu o potencial daquele evento. Com a ajuda de amigos da noite, se vestiu e penetrou na festa.
Sua história ficou conhecida. Garota pobre e batalhadora se casa com o herdeiro do trono. Cindy adorou a nova fama e o Príncipe até que não era mal quando se tratava de satisfazê-la. No entanto, os ratos queriam uma parte da grana que Cindy agora possuía e a chantagearam com fotos de seus tempos na zona. Sem saída, fugiu para o litoral, levando todo o dinheiro da família real.
Após gastar tudo em três meses, Cindy voltou às ruas. Embora às vezes fique com saudades de seu tempo de princesa, não se arrepende. Embora divida uma quitinete com outras três meninas, tem um cantinho que pode chamar de seu. Também pode mergulhar no mar quando quiser. Ela sempre quis fazer isso quando morava em Reino Encantado. E ainda conservou seus sapatos de cristal!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Aviso aos navegantes 1

O blog "Caneta, lente e pincel" acabou de publicar um texto meu, o conto "Vermelho". Além do história, há uma bela ilustração de Maria Matina, que me inspirou na construção da trama. Passem por lá e, claro, comentários são mais que bem vindos.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Fusão

A chuva cai. O sangue escorre gelado dos dedos. Um último suspiro se perde na força do vento.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Em defesa de Danilo Gentili


Não acho que Danilo Gentili foi racista. É isso. Antes que alguém surja falando que eu e Ali Kamel somos os únicos que não acreditam em preconceito de raça no Brasil, respondo. Racismo é real e desprezível. Toda e qualquer manifestação que sirva para desmoralizar uma pessoa ou entidade devido a cor da pele, opção sexual, religião, ... deve ser julgada de acordo com o rigor do insulto e punida. É simples. Espero todos possamos concordar neste ponto. Agora, voltemos ao “repórter inexperiente”.
Para aqueles que não sabem, o humorista do CQC teria feito uma piada supostamente racista. Na madrugada de sábado para domingo, dia 25, Gentili escreveu em seu perfil no twitter:
“King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loura. Quem ele pensa que é? Jogador de futebol?”
Até o momento, a mensagem foi encaminhada para o procurado do Ministério Público Federal em São Paulo e a ONG Afrobras planeja lançar uma carta de repúdio ao ato e avalia se entrará com uma representação criminal. Até o Hélio de La Peña entrou na história, condenando o comentário.
(http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u601611.shtml)
A reação não surpreende. Numa época que privilegia o imediatismo no lugar de uma reflexão sobre atos e em que há uma confusão entre má-fé e incompreensão, é necessário ter muito cuidado. O problema não é necessariamente o que se escreve, mas a forma como se o faz. A piada do Gentili é um exemplo perfeito. O silogismo que as entidades ofendidas realizaram é evidente.
“Macaco” é um termo pejorativo para negros. “Jogador de futebol”, muitos são negros. Logo, os negros são “macacos”.
Nem todo negro é jogador de futebol e vice-versa. Petkovic, que retornou ao Flamengo, é sérvio. Kaká, considerado um dos melhores do mundo, é branco e filho de pais ricos. Tudo bem, são exemplos extremos, mas servem para simbolizar que o futebol não é necessariamente ligado à raça. Há uma conexão forte com o fator social, pois muitos vieram de famílias de poucos recursos. Ainda assim, a ideia de imediatamente ligar a imagem de um jogador de futebol a uma pessoa negra é limitada, para não dizer perigosa. É ignorar que a vasta população de renda baixa no Brasil não consiste apenas de um grupo ligado pela cor, mas por uma condição social. A pobreza no Brasil tem muitas origens. Logo, partindo de outro silogismo, afirmar que jogador de futebol é negro, aceitando o fato de que esses vieram de locais mais humildes, seria dizer que todo negro é pobre. Ou seja, uma conclusão burra e igualmente racista.
A questão toda reside na palavra “macaco”. Esta expressão é umas das marcas mais fortes do racismo. Logo, qualquer coisa, mesmo que não intencional, que ligue negros ao insulto provoca alvoroço. E com razão! Deve ser combatido. Mas tudo dentro da razão, evitando uma caça às bruxas.
King Kong é um gorila. Um macaco; animal. Inegável. No filme, ele mantém uma relação quase amorosa com uma atriz loura, a que pega como refém quando se torna uma atração na cidade. Quanto aos jogadores famosos e suas louras... Brancos ou negros, a associação entre os atletas e mulheres voluptuosas e de cabelos dourados (naturalmente ou não) faz parte do folclore envolvendo o esporte. Deu origem à expressão “Maria Chuteira”. Basta lembrar das Ronaldinhas, ex-amantes do camisa 9 do Corinthians que fizeram fama por terem saído com ele. Elas, por sinal, eram louras. Embora ainda não haja um estudo comprovando o fascínio de jogadores de futebol por louras, é quase senso comum aceitar estas relações com um fato. Será que Gentili não estaria comparando a trajetória do Rei da Ilha da Caveira com esta curiosidade da cultura futebolística ou estaria simplesmente chamando negros de macacos?
Não conheço Danilo Gentili pessoalmente. Talvez ele seja o racista que está sendo pintado. No entanto, o sujeito é humorista e trabalha num dos programas mais populares na televisão aberta. Ou seja, o mínimo de inteligência, cultura e bom senso ele deve ter. Alguém que vive de brincar com convenções sociais e visado pela mídia não cometeria um erro tão estúpido. O fato de ele se recusar a apagar o que disse e querer se justificar com quem tenha se sentido ofendido é outra prova para mim de que as intenções aqui foram outras, nada envolvendo ofensas raciais.
O mais grave nesta história é que enquanto todos se levantam contra uma fala inofensiva tirada do contexto, o preconceito real é deixado de lado. Enquanto índios, nordestinos e homossexuais são espancados e queimados, idosos desrespeitados por companhias de ônibus e negros ainda são associados a pobreza e criminalidade, a sociedade dorme tranquila. São os fatos da vida. O politicamente correto funciona como uma cortina de fumaça para problemas sociais fortes. Para que investir em educação quando podemos enterrar nossas cabeças na terra? Para que procurar punições mais severas para estes crimes se o sistema judiciário não é igual para todos? São perguntas antigas e com um resquício de ingenuidade, mas que possuem uma verdade inquestionável: quando deixamos de ouvir os outros e passamos a gritar, como forma de não escutar os gemidos de dor que nos cercam cada vez lemos os jornais ou saímos na rua?...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Combinação

Foi: 1, 2, 3, 4, 5.

... mas o do meio caiu primeiro.

Primeira vez

“Já fez isso antes?”

“Não.”

“Quer tirar a mordaça?”

“... se gritar?...”

“A gente grita também.”